Na pesquisa do artista Wagner Priante, a visualidade e a funcionalidade de objetos arqueológicos são ponto de partida para explorar os procedimentos do fazer cerâmico e os meandros do processo criativo e construir trabalhos que inquietem o olhar sobre o sentido deles.
Sua produção se concretiza em acúmulo de ações sobre as matérias: constrói com o barro suas primeiras ideias, aceitando os imprevistos do gesto, do acaso, da intuição; prossegue com a sobreposição de camadas de misturas de pigmentos minerais e cinzas vegetais; avança com as queimas, intercaladas por novas intervenções; até encontrar a forma-sentido que se mostre expressiva. Nesse processo, modelagem, pintura, desenho, sulcagem, colagem são ações acionadas até aquietar as composições.
Não se trata de concluir, apenas de suspender as intervenções sobre a matéria. O trabalho pode ser retomado, como ocorre na fase mais recente de sua pesquisa, em que “cacos” obtidos ao quebrar peças antigas, anoitecidas em seu ateliê, têm sido incorporados no processo. Reportando a um passado, àquilo que certa vez foi um todo, esses fragmentos são explorados separadamente, com sobreposições de camadas de pinturas e desenhos com pigmentos, combinados em configurações, ou mesmo integrados à argila, crua, colocando em tensão distintas matérias. Reativar a potencialidade do que talvez estivesse à espera da despedida, do abandono, do descarte, é, no seu entender, extrapolar o que seria o término, o fim.
Todos esses procedimentos conferem a seus trabalhos visualidade que remete a objetos arcaicos, remotos, inspirando olhares para memórias longínquas. Como costuma dizer, a terra guarda muito intimamente tudo que lhe fazem, até que expõe, ao mundo, materializada em cerâmica, as marcas dos que lhe tocaram.

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